A Organização Mundial da Saúde prevê que até 2020 a depressão será a principal causa de afastamento do trabalho, se manifestando com um sofrimento mental que é responsável por redução da qualidade de vida da população. Embora existam tratamentos eficazes conhecidos para a depressão, menos de 50% dos indivíduos afetados no mundo tem acesso a eles. As barreiras ao tratamento pleno incluem a falta de recursos, deficiência de profissionais treinados e o descrédito cultural aos transtornos mentais. Além disso, ocorre a avaliação incorreta, que pode ser a partir de ausência da detecção dos doentes ou o diagnóstico inadequado de outros, submetidos a intervenções desnecessárias.
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A identificação da depressão nem sempre é fácil, por isso a doença é muitas vezes subdiagnosticada, desta forma, é preciso uma análise do paciente e dos seus sintomas, que envolvem:
Humor deprimido na maior parte do dia;
Agitação ou retardo psicomotor;
Insônia ou hipersonia quase diária;
Perda ou ganho significativo de peso;
Acentuada perda do prazer ou interesse em todas as atividades cotidianas;
Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada;
Capacidade diminuída de pensar ou se concentrar;
Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio
O Depressão não é frescura já abordou as características deste transtorno mental, tipos diagnóstico e tratamento, mas como o paciente pode procurar ajuda frente a este acometimento? Os postos de saúde (Unidades Básicas de Saúde - UBS) são sempre a primeira opção para o paciente que busca assistência para qualquer tipo de doença; no caso da depressão, ele será encaminhado para um psicólogo que poderá identificar um processo depressivo para posteriormente receber um atendimento psiquiátrico.
O médico irá realizar o diagnóstico da depressão e sua severidade, recomendando o tratamento mais adequado para o seu quadro clínico. Entretanto, os Centros de Atenção Psicossociais (Caps) são a referência pública para as doenças mentais, atendendo, inclusive, pacientes em crises que necessitam de assistência intensa e até uma internação. Alguns locais oferecem rodas de conversa, oficinas de artesanato e terapia para auxílio no tratamento, ressaltando a importância de terapias não medicamentosas.
O Caps é um serviço de atenção diária fora de unidade hospitalar destinado à assistência individualizada e personalizada a pessoas em sofrimento mental, a partir do cuidado multidisciplinar de psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, profissionais da enfermagem e outros. O principal objetivo é fazer com que o indivíduo seja capaz de estar inserido na sociedade, mantendo seus laços familiares e reduzindo a quantidade de internações, reclusões e, no caso da depressão, diminuindo o número de doenças associadas e suicídio.
Deve-se ressaltar que a depressão aumenta o risco de outras doenças não transmissíveis, como diabetes e doenças cardiovasculares. Simultaneamente, essas patologias aumentam o risco de depressão. Para o paciente que manifesta pensamentos de autoextermínio, há o Centro de Valorização da Vida (CVV) que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone (188), email e chat 24 horas todos os dias.
Como lidar com os pensamentos suicidas?
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Caso esteja com pensamentos recorrentes de morte o primeiro passo é saber que você não está sozinho, isso significa que a dor é maior do que os recursos para lidar com ela e que, naquele momento, acredita-se que seja a única forma de acabar com o sofrimento mental. Para combatê-los, devemos encontrar formas de reduzir a dor ou meios de aumentar seus recursos de enfrentamento. Assim, técnicas de relaxamento podem reduzir a ansiedade e fazer com que o paciente perceba que é passageiro.
Outras maneiras de enfrentar os pensamentos negativos é não sentir alívio se estivesse morto, procurar pessoas que possam te ajudar, encontrar pensamentos e sentimentos contrários aos que estão presentes e cuidar de sua saúde física e mental. Além disso, fique longe de coisas que desencadeiam esses pensamentos e procure ajuda profissional imediatamente, uma vez que os pensamentos suicidas podem ser fortes demais e não há motivo algum para enfrentá-lo por conta própria. Entre em contato com uma linha direta de prevenção de suicídio ou com o serviço de emergência de sua cidade.
Referências:
Ministério da Saúde - Secretaria de atenção à saúde. Protocolo de atendimento para pacientes com depressão e transtorno bipolar tipo 1. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/abril/01/TAB---Portaria-315-de-30-de-mar--o-de-2016.pdf>. Acesso em: 10 de abril de 2019.
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